O velho lar esta em reforma novamente, outra vez se tentará dar uma cara nova ao o que ficou. Foram várias mudanças, algumas tempestades e inúmeras tentativas de reconstrução. Uma coisa ou outra ficava fora do lugar, deslocado, quietinho no seu canto mas incomodando de alguma forma. Prefiro as coisas no lugar, é mais difícil tropeçar em algo desse jeito. Por vezes ao esbarrar aqui ou ali, acabo lembrando de como aquilo foi parar onde esta, qual escolha o fez estar ali. Quando menos espero alguém vem me visitar, o que vez ou outra acarreta em algo fora do lugar, em algo que por algum tempo fica deslocado de onde deveria ficar.
Ta bagunçado, há um pouco de tudo em todo lugar. Algumas coisas se quebraram, mas nem todos os cacos foram varridos, vários permanecem e ao acaso, um conseguiu me ferir. Mas tempo de reforma é assim, demora até tudo voltar ao normal, se é que algum dia volta.
Na hora de mover algumas coisas, um porta retrato surgiu mostrando o quanto certas coisas ainda estão vivas. Aquela foto em preto e branco já trouxe muitas cores a vida dele, mesmo sendo uma foto simples, com poucos detalhes. Não sei que lugar é, não sei ao certo as verdadeiras cores da tua blusa, apenas identifico a cor branca de fundo e que possui um cordão, certamente para fecha-la na frente. Há um esboço de sorriso no teu rosto, alguns fios de cabelo caídos em sua testa e um brilho no olhar.
Com ela nas mãos, busquei olhar para o horizonte de minha janela onde o vento frio podia tocar meu rosto. Tentei ver o que havia lá fora, mas foi em vão. Apenas queria sentir o calor do teu corpo, o sabor dos teus lábios, a maciez da tua pele, o quanto seria feliz ao sentir teus braços entrelaçados em meu pescoço... pegar-te no colo enquanto tu sorrias, enquanto tudo se resumia a você, a teus desejos, tuas vontades, a tua maneira de fazer amor.
Há um travesseiro sobrando. Há um espaço vazio. Há o teu lugar.
A reforma continua, a bagunça permanece, o sentimento se mantém. A 'casa nova' pode ficar bonita, diferente, cheia de vida com os mais diversos enfeites ou visitas. Tudo pode mudar de lugar, de forma, de tamanho, de frequência. Tudo pode parecer diferente. Mas a velha morada continua ali, com seus alicerces firmados, com sua base sólida. Nem tudo eu posso mudar, nem tudo é novo, a maioria das coisas são passageiras, se vão na mesma velocidade que chegam. A reforma acontece, mas o velho lar continua ali.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Adeus Soldado..
O motivo para entrar na guerra lhe foi dado. O que ele sempre sonhou lhe foi ofertado. A doce ilusão de buscar um sonho distante o fez lutar, mesmo sem ele saber quais adversários enfrentaria em seu campo de batalhas. Talvez cego pelo desejo de vitória, deixou de perceber detalhes fundamentais. As batalhas começaram, e a guerra começava a cobrar seu preço. Os primeiros passos foram calmos, sentidos atentos buscando informações, observando tudo o que era possível. Aos poucos a confiança ganhou força, a cada momento tomava forma, ganhava espaço. A cada dia que passava, a derrota se aproximava, e ele dominado pela sua sede de vitórias, nem se dava conta do quanto a confiança o fez mal. Nas primeiras investidas obteve o sucesso, ao menos era o que ele imaginava. Parecia um começo promissor, um indicativo de que a missão teria um fim positivo. Pobre rapaz, mal sabia ele que de nada adiantaria enfrentar todos os inimigos. Por mais que se queira, enfrentar o mundo sozinho não é uma tarefa fácil. Uma hora você cai, e levantar-se pode não ser tão simples assim. A primeira queda aconteceu, mas a adrenalina estava alta demais para permanecer muito tempo no chão. Recuperar-se do golpe não demorou, uma nova dose de confiança o tomou por inteiro, mas continuar era em vão, o fim já estava decretado. Mesmo tentando manter a esperança viva, o amargo gosto da derrota começava a ser sentido em sua boca. Ele mantinha sua fé, caindo e levantando, curando as feridas e seguindo a diante, ainda acreditando que chegaria ao seu dia de glória. O dia que não chegou. Mesmo sem ter condições ele quis ir em frente, suas forças já não eram mais as mesmas, agora ele podia ver a face de seus inimigos, sabia exatamente quem e o que estava enfrentando por todo esse tempo. Dessa vez não pode se recompor. Dessa vez, viria o golpe letal. Mesmo ali no chão passou-lhe um filme em sua mente, imagens de tudo o que ele um dia sonhou, do que desejou e lutou para conseguir, talvez não dá maneira correta. Apesar das feridas abertas, ele teve a convicção de que tudo aquilo foi uma das melhores coisas que já pretendeu. O tempo estava acabando e ele não receberia uma medalha de honra pela sua luta, mas sim uma cova rasa. Morrer como homem é o prêmio da guerra. Talvez não seja o mais justo, talvez seja esse o preço a ser pago, talvez seja o que há de mais digno nesse momento. Jogaram o soldado na cova, ele não vai mais voltar.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Quero continuar acreditando nisso, mesmo quando tudo parece estar contra. Quero ter forças para suportar todas as vezes que a vontade de desistir tomar conta de mim. Quero ter a paciência necessária para tornar tudo isso real. Quero tanta coisa que não sei se devo, quero...
Mas querer não é poder. Querer não é ter.
A distância vem fazendo o medo aumentar. Natural que aconteça, uma vez que não é apenas um sonho, um desejo que no amanhã se vai embora, é um vida toda que se quer dedicar a alguém. Mas o medo não vai me preservar do meu destino, como diria Lampião, o medo nos enterra vivos. Posso brigar contigo, ficar de mal, mas passa. Querendo ou não, você tem mais esse poder. Talvez não seja necessariamente medo, talvez seja apenas a realidade mostrando como as coisas verdadeiramente são. Há distância, há tempo, há uma infinidade de obstáculos, há tanta coisa que nem sei se consigo enfrentar ou até mesmo suportar.
Talvez devesse jogar a toalha, desistir mesmo, começar a agir como se nada nunca tivesse 'acontecido'. Talvez devesse esquecer, partir pra outra, virar a página, algo assim. Talvez eu esteja apenas cansado, cedo demais pra falar a verdade. Mas eu já desisti de muitas coisas. Eu sei, você não é uma 'coisa', é muito mais que isso. O teu significado pra mim vai muito além do que possa imaginar.
Optei por continuar, mesmo sendo perigoso. Afinal o pior veneno é o que te agrada. Não sei quanta força ainda resta, não sei quanto tempo ainda resta. Caminhar sozinho nunca animou ninguém. Enfrentar o mundo sozinho também não. O começo pode ser promissor, a primeira batalha pode ser vencida facilmente, mas a guerra é longa e sempre cobra seu preço. Paga-se caro e muitas vezes o tempo de quitação é longo demais.
Preciso reencontrar meu norte, buscar a direção certa, procurar algo que forneça novas energias. Reencontrar o espírito do guerreiro, vencer os adversários ou cavar a própria cova e dar baixa no soldado.
Mas querer não é poder. Querer não é ter.
A distância vem fazendo o medo aumentar. Natural que aconteça, uma vez que não é apenas um sonho, um desejo que no amanhã se vai embora, é um vida toda que se quer dedicar a alguém. Mas o medo não vai me preservar do meu destino, como diria Lampião, o medo nos enterra vivos. Posso brigar contigo, ficar de mal, mas passa. Querendo ou não, você tem mais esse poder. Talvez não seja necessariamente medo, talvez seja apenas a realidade mostrando como as coisas verdadeiramente são. Há distância, há tempo, há uma infinidade de obstáculos, há tanta coisa que nem sei se consigo enfrentar ou até mesmo suportar.
Talvez devesse jogar a toalha, desistir mesmo, começar a agir como se nada nunca tivesse 'acontecido'. Talvez devesse esquecer, partir pra outra, virar a página, algo assim. Talvez eu esteja apenas cansado, cedo demais pra falar a verdade. Mas eu já desisti de muitas coisas. Eu sei, você não é uma 'coisa', é muito mais que isso. O teu significado pra mim vai muito além do que possa imaginar.
Optei por continuar, mesmo sendo perigoso. Afinal o pior veneno é o que te agrada. Não sei quanta força ainda resta, não sei quanto tempo ainda resta. Caminhar sozinho nunca animou ninguém. Enfrentar o mundo sozinho também não. O começo pode ser promissor, a primeira batalha pode ser vencida facilmente, mas a guerra é longa e sempre cobra seu preço. Paga-se caro e muitas vezes o tempo de quitação é longo demais.
Preciso reencontrar meu norte, buscar a direção certa, procurar algo que forneça novas energias. Reencontrar o espírito do guerreiro, vencer os adversários ou cavar a própria cova e dar baixa no soldado.
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