sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Até mesmo quando o lugar é encantador, não voltamos exatamente ao mesmo lugar duas vezes. Algo nele estará diferente, seja um mínimo detalhe, seja algo mais evidente. Da mesma forma, não tocamos a mesma água duas vezes, mesmo entrando e saindo do mar rapidamente.
A gente volta ( ou quer voltar) pensando que lá é o nosso ponto de paz. A gente volta, pensando em encontrar tudo igual, mas na verdade a mudança já começa pela gente, sem ao menos perceber. Quem parte, já deixa um pedaço seu ali, e ‘recupera-lo’ amigo, pode não ser tão simples assim.
Um pouco ou bastante, de forma nítida ou contida, já não somos mais os mesmos. Talvez a essência permaneça a mesma, mas varias coisas já se alteraram. Seja a maneira de dizer um ‘bom dia’, a forma em retribuir um sorriso, uma gentileza, ou até mesmo algo que buscamos pensando ser o fundamental, mas que por vezes acaba por nos deixar mais perdidos ainda nessas tantas estradas da vida.
Talvez a busca por algo que não exista (mas que em nossa mente se faz viva), acabe por atrapalhar o processo todo, sem ao menos ter dado um passo a frente. Manter o corpo em movimento, em equilíbrio, é relativamente fácil. O difícil mesmo, é sair de onde se esta.
Podes argumentar ‘mas calma ai, até agora não falastes sobre estar perdido entre os caminhos?’, pois bem, não posso negar ou fugir disso. Mas nesse momento, te pergunto: será mesmo que eu saí ou ao menos tentei mudar de lugar?
Pois é, espero poder responder essa questão, não somente a ti, mas a mim principalmente. Nesse mundo de sonhos, desejos e fantasias, por vezes o real e o ilusório se misturam, e sinceramente, às vezes viver nos sonhos é muito melhor do que encarar a realidade. Ao mesmo tempo, talvez todo o preço seja pouco, e ainda não paguei. Talvez aquele velho a beira do fogo tinha razão, ‘passa o tempo, gira o mundo, e nessas voltas da vida, a gente acha o que procura’.

Edenilson Thomé, aos quatorze dias do mês de outubro, do ano de dois mil e dezesseis.

Trajeto Universidade Federal da Fronteira Sul – Centro de Erechim, as onze horas e quinze minutos de uma manhã ensolarada de sexta-feira. 

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Tenho procurado o caminho de casa, mas não tenho encontrado. Pra falar a verdade, é uma busca que persiste a um considerável período de tempo. Tentei ouvir o vento, o meu coração, os sons nas proximidades, porem até o momento, nada me guiou ao ponto exato de partida/retorno.
Nessa tentativas, busquei vários caminhos que pensei ser o certo. Todos em vão, mas com um considerável ensinamento. Não que eu os siga por completo, mas volta e meia alguma coisinha volta e martela em minha cabeça.

Quem sabe a dificuldade maior em localizar a estrada, seja porque no momento da partida, a primavera floria os arredores, e ao tentar voltar no gélido inverno, só restavam os galhos secos e os espinhos.

Quem sabe também, o fato de não ser mais o mesmo, faça não enxergar da mesma forma, coisas antes tão banais. Talvez refazer os mesmo passos, em busca de algo que já se perdeu, não faça sentido algum.  

Quem sabe não encontre ninguém mais em minha antiga morada. Quem sabe não me encontre lá, e compreenda que tenha acabado por me perder em algum ponto qualquer do caminho, em meio a tantas curvas. Quem sabe eu busque algo que não existe mais. Quem sabe, encontre apenas uma sepultura simples, com uma mínima indicação do que, ou de quem esteve ali.

Não se tem o poder de mudar o que passou, com um pouco de sorte, pode-se mudar o que esta por vir. “Ah, mas o futuro é a gente quem faz, você não deve falar em sorte, mas sim, em fazer ser diferente”. Não há como discordar de algo tão correto. Porém, da mesma forma que o futuro esta em ‘minhas mãos’, as consequências do passado e do presente, estão em minha cabeça, em meu peito, e ainda em minhas mãos.


                                         Como diria Chorão, do Charlie Brown,                                                                      “Cada escolha é uma renuncia, isso é a vida, estou lutando pra me recompor”, mesmo que a integralidade, possa não vir. Muito se perde, pouco se encontra novamente, mas se é como dizem, o que for meu, encontrará um jeito de vir até a mim. Ah, e por sinal, infelizmente se tornou uma vida de mão única, não me permite mais ir. 

Ao menos, não sem uma boa dose de loucura.