Eu
precisava-lhe falar, mas não sei por onde devo iniciar. Bom, eu nem mesmo sei
onde te encontrar, onde me encontrar. Sou vitima das minhas próprias frases, da
minha própria consciência. Talvez o que eu
mais precisasse, era me ‘falar’, mas provavelmente eu não queira ter essa
conversa comigo mesmo.
Prefiro
acreditar que tudo isso ultimamente, é em decorrência do que alguns chamam de ‘inferno
astral’. A gente sempre busca fugir, mesmo sabendo que deveria permanecer ali e
enfrentar de peito aperto tudo o que viesse ao encontro.
Talvez
eu venha por misturar diversas coisas aqui, ou até mesmo, acabe falando
novamente das mesmas coisas de sempre. Um belo bebê chorão você tem se saído. Minha
história pode não ser a mais legal, a mais interessante que você encontrará por
ai. Porém, ela é real e por muitas vezes eu não queria fazer parte dela.
Não sei
até quando irei suportar. As diversidades, os velhos problemas, e até mesmo,
essa pessoa que estou me tornando aos poucos com o passar do tempo, mesmo que
de uma forma inconsciente. A velha morada está em reformas, mesmo que eu não
tenha solicitado reparo algum.
As flores
perderam vida, perderam perfume, perderam as mais lindas cores que enfeitavam
meu jardim. Sim, a culpa é minha. Eu deixei de cuida-las como deveria. O céu
cinzento e o clima frio, de forma alguma podem ser acusados de algo, uma vez
que a desatenção foi minha.
Talvez eu
carregue em mim, todas as culpa do mundo. Algumas que não são minhas, outras
que ficarão marcadas como ferro em brasa na alma. “Algumas coisas estão além das marcas da pele,
estão marcadas na alma”. Se fecho os olhos, ainda posso ver letra por letra, e
o desenho ao qual as acompanhava.
Como
posso culpar o vento pela bagunça que ele fez em minha mesa, se quem deixou a
janela aberta fui eu?! Muito provavelmente, o sentimento de culpa nem deveria
se fazer presente, ou não tão presente. É tão mais fácil perdoar os erros dos
outros, não é mesmo?!
Certa vez
lembro-me de ter lido em algum lugar que ‘vitórias são temporárias, fracassos
são para sempre’, estou quase convicto que quem escreveu, realmente sabia do
que estava falando.
Mas lembra,
eu precisava lhe falar... mas primeiro, preciso me encontrar. Se puder, me
aguarde aí onde esta, eu ainda volto terminar essa conversa.