segunda-feira, 14 de abril de 2014

Passo pouco tempo aqui.  É, aqui. A alguns minutos estava ‘revivendo’ meu passado. Fiquei muito tempo lá, recordei, sorri, chorei, senti as sombras me abraçarem. Tentaram me aquecer, mas as lembranças nem sempre conseguem aquecer um coração que tanto insistiram em congelar.  Quando percebi, via-me em meu ‘futuro’.  Os planos me levaram longe, muito distante de onde imaginava estar, de onde deveria estar.  Peguei-me pensando lá, em porque estar assim.  Parece confuso, mas facilmente ‘passado’ e ‘futuro’ estão no mesmo lugar, ao mesmo tempo, ao menos em mim. Como um ex soldado vindo da guerra, estar em casa torna-se uma recompensa, mas também uma nova batalha. Vi-me voltando ao presente. Encontro-o bagunçado,  mas não posso reclamar.  A ausência fez que tudo permanecesse revirado. Quem mandou mesmo viajar tanto? Ninguém. Assim como ninguém recomendou ter esperanças, sonhos, planos, e porque não, coragem para entrar em uma batalha que era perdida, antes mesmo de começar. Mas de momento, essa coragem me falta, ou essa vontade me falta, quem sabe um pouco das duas. Da janela empoeirada, não vejo os olhos que me cercam. Sinto-me ainda preso a coisas que ‘ninguém sabia’. Aos momentos que até então ‘ninguém’ havia vivido, as lágrimas que ‘ninguém’ tinha visto, as mesmas lágrimas que insistia em secar com um toque leve dos dedos, ou com beijos.  Olha sobre a mesa, vejo um bilhete que aparenta ser teu. Sobre ele, uma taça com a dose de nostalgia diária, mesmo sem perceber, ingeri-la virou um habito. Pego-o entre os dedos e instantaneamente, relembro dos teus dedos entrelaçados aos meus. Leio-o e recordo de tua loucura, assim como a certeza de que não haverá quem lhe entregue de presente, um mundo tão colorido. Opa, voltamos ao  presente. Percebo então que o vento adentra meu lar e retira o papel dentre meus dedos.  Segue o levando, está quase a perder de vista. Agora, posso ver lá fora, posso ver todo o horizonte que minha janela escondera de mim. Olha, há alguém. Há um abraço. Há olhos esperando por brilho, lábios esperando pare serem tocados, sorrisos para serem dados, e minha vida toda para construir. Quanto á você, passado, fica o agradecimento, mas ao mesmo tempo, não esqueça, você foi quem perdeu,deixando de se tornar o futuro.

domingo, 6 de abril de 2014

Mudamos o livro. Mudamos de história. Buscamos virar a página, quando deveríamos rasgá-la. Por vezes, é difícil aceitar o fim do ciclo. Aceitar que terminou, que foi bom enquanto dourou, mesmo que isso não seja tão significativo em numero de vezes ou dias, mas sim na intensidade que se viveu. Talvez esse seja um problema também. Ser tão intenso, tão sincero, tem um preço alto. 
Volta e meia, bate a saudade. Sim, utilizar no plural seria imprudência. Raros são os casos que existe a reciprocidade. Eis que aquele turbilhão de pensamentos que pensavas dominar, que lutara tanto para manter longe, vêm e o dominam. Como os ventos de um furação, tratam logo de bagunçar tudo, de deixar tudo longe de onde deveria estar.
Mas passa. A tempestade vai embora e o sol tende a brilhar. Por vezes demora um pouco até que as nuvens acabem por se dissipar,  enquanto isso as sombras vão engolindo aos pouquinhos tudo aquilo que prometeras não deixar mais acontecer.
Os ventos que trazem, são os mesmos que levam, sem dó, sem piedade, sem importar-se com quem irá sentir a face gélida após ele passar. Não olham para trás em busca de reações, simplesmente partem deixando olhos marejados, sorrisos forçados, e peitos dilacerados.
É da vida seguir em frente. Cair, levantar, sorrir, chorar, não nessa ordem, mas isso é detalhe. Como os dedos dela em teus cabelos, como o sorriso, como o abraço, como o simples beijo na testa que ela tanto adorava, e que você jamais irá repetir outra vez. 
Acabamos por desejar não ter vivido nada disso, por querer esquecer, por passar na rua e fingir não ver ou conhecer quem em algum momento, nos fez tão bem. Acabamos por nos fechar num calabouço, imaginando que podemos ser salvos por alguém, quando a chave e a saída, estão o tempo todo conosco, desde o começo, mas a luz de outros olhos, insiste em nos cegar.