Passo pouco tempo aqui.
É, aqui. A alguns minutos estava ‘revivendo’ meu passado. Fiquei muito
tempo lá, recordei, sorri, chorei, senti as sombras me abraçarem. Tentaram me
aquecer, mas as lembranças nem sempre conseguem aquecer um coração que tanto
insistiram em congelar. Quando percebi,
via-me em meu ‘futuro’. Os planos me
levaram longe, muito distante de onde imaginava estar, de onde deveria
estar. Peguei-me pensando lá, em porque estar
assim. Parece confuso, mas facilmente ‘passado’
e ‘futuro’ estão no mesmo lugar, ao mesmo tempo, ao menos em mim. Como um ex
soldado vindo da guerra, estar em casa torna-se uma recompensa, mas também uma
nova batalha. Vi-me voltando ao presente. Encontro-o bagunçado, mas não posso reclamar. A ausência fez que tudo permanecesse
revirado. Quem mandou mesmo viajar tanto? Ninguém. Assim como ninguém
recomendou ter esperanças, sonhos, planos, e porque não, coragem para entrar em
uma batalha que era perdida, antes mesmo de começar. Mas de momento, essa
coragem me falta, ou essa vontade me falta, quem sabe um pouco das duas. Da janela
empoeirada, não vejo os olhos que me cercam. Sinto-me ainda preso a coisas que ‘ninguém
sabia’. Aos momentos que até então ‘ninguém’ havia vivido, as lágrimas que ‘ninguém’
tinha visto, as mesmas lágrimas que insistia em secar com um toque leve dos
dedos, ou com beijos. Olha sobre a mesa,
vejo um bilhete que aparenta ser teu. Sobre ele, uma taça com a dose de
nostalgia diária, mesmo sem perceber, ingeri-la virou um habito. Pego-o entre
os dedos e instantaneamente, relembro dos teus dedos entrelaçados aos meus.
Leio-o e recordo de tua loucura, assim como a certeza de que não haverá quem
lhe entregue de presente, um mundo tão colorido. Opa, voltamos ao presente. Percebo então que o vento adentra
meu lar e retira o papel dentre meus dedos.
Segue o levando, está quase a perder de vista. Agora, posso ver lá fora,
posso ver todo o horizonte que minha janela escondera de mim. Olha, há alguém. Há
um abraço. Há olhos esperando por brilho, lábios esperando pare serem tocados,
sorrisos para serem dados, e minha vida toda para construir. Quanto á você,
passado, fica o agradecimento, mas ao mesmo tempo, não esqueça, você foi quem
perdeu,deixando de se tornar o futuro.
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