domingo, 6 de abril de 2014

Mudamos o livro. Mudamos de história. Buscamos virar a página, quando deveríamos rasgá-la. Por vezes, é difícil aceitar o fim do ciclo. Aceitar que terminou, que foi bom enquanto dourou, mesmo que isso não seja tão significativo em numero de vezes ou dias, mas sim na intensidade que se viveu. Talvez esse seja um problema também. Ser tão intenso, tão sincero, tem um preço alto. 
Volta e meia, bate a saudade. Sim, utilizar no plural seria imprudência. Raros são os casos que existe a reciprocidade. Eis que aquele turbilhão de pensamentos que pensavas dominar, que lutara tanto para manter longe, vêm e o dominam. Como os ventos de um furação, tratam logo de bagunçar tudo, de deixar tudo longe de onde deveria estar.
Mas passa. A tempestade vai embora e o sol tende a brilhar. Por vezes demora um pouco até que as nuvens acabem por se dissipar,  enquanto isso as sombras vão engolindo aos pouquinhos tudo aquilo que prometeras não deixar mais acontecer.
Os ventos que trazem, são os mesmos que levam, sem dó, sem piedade, sem importar-se com quem irá sentir a face gélida após ele passar. Não olham para trás em busca de reações, simplesmente partem deixando olhos marejados, sorrisos forçados, e peitos dilacerados.
É da vida seguir em frente. Cair, levantar, sorrir, chorar, não nessa ordem, mas isso é detalhe. Como os dedos dela em teus cabelos, como o sorriso, como o abraço, como o simples beijo na testa que ela tanto adorava, e que você jamais irá repetir outra vez. 
Acabamos por desejar não ter vivido nada disso, por querer esquecer, por passar na rua e fingir não ver ou conhecer quem em algum momento, nos fez tão bem. Acabamos por nos fechar num calabouço, imaginando que podemos ser salvos por alguém, quando a chave e a saída, estão o tempo todo conosco, desde o começo, mas a luz de outros olhos, insiste em nos cegar. 

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