Não foi desejo. Nem vontade, nem curiosidade, nem nada disso! Foi um choque elétrico meio que de surpresa, desses que te deixa com o corpo arrepiado, coração batendo acelerado e de cabelo em pé. Foi sentimento. Não foi planejado, nem premeditado. Foi só um querer estar perto e cuidar, tomar todas as dores e lágrimas como se fossem minhas. A vontade e o desejo vieram depois, bem depois. Não foi um lance de corpo, é coisa de alma. Foram os olhos, foram os sorrisos, foram os inesquecíveis beijos, foram os abraços, foi a cumplicidade, foi o fato de nos completarmos, não o jeito de andar ou as curvas do teu corpo. Um misto de uma saudade e uma urgência daquilo que nunca se teve, mas é como se já tivesse tido antes. Foi como cavar a própria cova e apenas esperar pelo momento que viria o golpe letal. O corredor da morte estava ali, apenas esperando pelo instante em que seria percorrido, e ao contrário do que alguns poderiam esperar, não haveria luz ao final deste túnel. Não nesse caso não haveria a regalia do último pedido, ele era inútil. Não houve como manter a cabeça em pé, não por vergonha ou falta de honra, mas por falta de forças.
Queria ter o poder de te apagar da minha memória. Como os arquivos de um HD, ou com a
facilidade com que o mar consegue fazer desaparecer as coisas que escrevemos na
areia. A gente passa a vida toda por ir
embora, mas não quer encarar a despedida. Mais dia ou menos dia, era preciso encarar, mesmo que não quisesse. Mas não fui o único a perder. Com o tempo quem sabe iremos descobrir quem ganhou ou quem perdeu. Apenas temos a certeza que não encontrarás outro feito eu. Não quer dizer que não posso encontrar alguém melhor, é bem provável que aconteça. Acho que esse tipo de coisa me ensinou a ser egoísta, ao menos um pouco. Não te desejei e nem posso te desejar felicidades, não com total sinceridade ao menos. Queria que tu fostes feliz comigo, e tu bem sabe, que isso iria acontecer. Queria ser eu a estar ao teu lado em cada amanhecer. Queria que fossem meus os beijos e os toques a te despertar. Queria ser o abraço que te aquece, aquele abraço apertado, aquele que por vezes, terminava naquele colo que tu tanto gostava e naquele beijo que nos tirava de órbita. Queria ter começado e terminado essas linhas da mesma maneira, mas da mesma forma que me perdi naqueles olhos negros, me perdi nas minhas lembranças, nas tuas lembranças.