Vez ou outra revirando o bau, depare-se com algo assim...
Demora, mas você aprende que saudadeS não existe, ao menos
não no plural. Talvez exista a saudade, a que você e unicamente você sente, não
há como pluralizar isso, não é como saber se da outra parte algo restou. Por
mais que se saiba, aceitá-la por completo não é tarefa fácil. Mas não é todo
mal, se esta ali, é sinal que houve algo bom, por mais clichê que seja dizer
isso.
Restará a mim então nas tardes quentes ou em madrugadas
frias, embebedar-me de lembranças. De como era o calor do teu abraço, o teu cheiro,
o gosto do teu beijo, a maciez da tua pele, leveza ao dançar, a forma como olhas, aqueles
olhos verdes com o campo, os quais transmitem uma paz até então desconhecida a
esse ser que vos escreve.. Caberá a mim saber como conviver com isso pelo tempo
que se fizer presente. Talvez perdure até outro olhar substituir o teu, talvez
até que eu entenda o que esta acontecendo, talvez.. até que consiga olhar naqueles
olhos e não me ver mais neles.
Passarei algumas
noites ainda a olhar tuas fotos, a ouvir as músicas que sei que gostas, a
fechar os olhos e como num passe de mágica, ouvir o timbre da tua voz. Os dias
parecerão ter o dobro do tempo e as noites a metade do tempo de outrora,
enquanto busco fixar meus olhos em algum ponto do horizonte que parecia não
fazer mais tanto sentido.
Por vezes ainda precisarei utilizar a desculpa do ‘cisco nos
olhos’, ao senti-los marejados, quando a tal saudade de coisas que nem mesmo
vivi, mas que sonhei, se fizer presente. Ao ler isso podes pensar que trata-se
um doido varrido que cruzou teu caminho, mas tentarei de forma simples
explicar. Quando alguém nos marca, quando alguém nos faz muito bem, quando
alguém entra em nossas vidas e não queremos que vá, quando a intensidade é
inversa ao tempo juntos, a razão é deixada de lado propositalmente, para que ao
menos por vagos instantes ao fechar os olhos, o mundo deixe de cobrar tanto e
permita-me ousar imaginar como serias ter-te por outros momentos ao meu lado,
em meus braços.
O tempo vai nos moldando diferentes do que costumávamos ser.
A distância vai aumentando, a memória pode começar a nos trair, fazendo-nos
esquecer de quem não deveria, ou ao menos queria. Tornar-se-á apenas mais um
amigo, mais um alguém que mora longe, que um dia ela conheceu, até ser um
estranho por completo.
Talvez algum dia o Papai do Céu me presenteie outra vez com tua companhia. Talvez
esse seja ou tenha sido um começo todo torto, de uma história que ainda terá um
meio, mas não um fim. Ou talvez ainda, seja só uma história de dois amigos, que
irão vencer inúmeras batalhas juntos, para que o laço um dia nascido, não venha
a morrer.
Mas se acaso morena teus olhos luzeiros tiver paradeiro em outro olhar, perdoa morena meus olhos tristonhos, perdoa os meus sonhos, se contigo eu sonhar.
Mas se acaso morena teus olhos luzeiros tiver paradeiro em outro olhar, perdoa morena meus olhos tristonhos, perdoa os meus sonhos, se contigo eu sonhar.