terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Vez ou outra revirando o bau, depare-se com algo assim...

Demora, mas você aprende que saudadeS não existe, ao menos não no plural. Talvez exista a saudade, a que você e unicamente você sente, não há como pluralizar isso, não é como saber se da outra parte algo restou. Por mais que se saiba, aceitá-la por completo não é tarefa fácil. Mas não é todo mal, se esta ali, é sinal que houve algo bom, por mais clichê que seja dizer isso.
Restará a mim então nas tardes quentes ou em madrugadas frias, embebedar-me de lembranças. De como era o calor do teu abraço, o teu cheiro, o gosto do teu beijo, a maciez da tua pele,  leveza ao dançar, a forma como olhas, aqueles olhos verdes com o campo, os quais transmitem uma paz até então desconhecida a esse ser que vos escreve.. Caberá a mim saber como conviver com isso pelo tempo que se fizer presente. Talvez perdure até outro olhar substituir o teu, talvez até que eu entenda o que esta acontecendo, talvez.. até que consiga olhar naqueles olhos e não me ver mais neles.
 Passarei algumas noites ainda a olhar tuas fotos, a ouvir as músicas que sei que gostas, a fechar os olhos e como num passe de mágica, ouvir o timbre da tua voz. Os dias parecerão ter o dobro do tempo e as noites a metade do tempo de outrora, enquanto busco fixar meus olhos em algum ponto do horizonte que parecia não fazer mais tanto sentido.
Por vezes ainda precisarei utilizar a desculpa do ‘cisco nos olhos’, ao senti-los marejados, quando a tal saudade de coisas que nem mesmo vivi, mas que sonhei, se fizer presente. Ao ler isso podes pensar que trata-se um doido varrido que cruzou teu caminho, mas tentarei de forma simples explicar. Quando alguém nos marca, quando alguém nos faz muito bem, quando alguém entra em nossas vidas e não queremos que vá, quando a intensidade é inversa ao tempo juntos, a razão é deixada de lado propositalmente, para que ao menos por vagos instantes ao fechar os olhos, o mundo deixe de cobrar tanto e permita-me ousar imaginar como serias ter-te por outros momentos ao meu lado, em meus braços.
O tempo vai nos moldando diferentes do que costumávamos ser. A distância vai aumentando, a memória pode começar a nos trair, fazendo-nos esquecer de quem não deveria, ou ao menos queria. Tornar-se-á apenas mais um amigo, mais um alguém que mora longe, que um dia ela conheceu, até ser um estranho por completo.
Talvez algum dia o Papai do Céu  me presenteie outra vez com tua companhia. Talvez esse seja ou tenha sido um começo todo torto, de uma história que ainda terá um meio, mas não um fim. Ou talvez ainda, seja só uma história de dois amigos, que irão vencer inúmeras batalhas juntos, para que o laço um dia nascido, não venha a morrer.
Mas se acaso morena teus olhos luzeiros tiver paradeiro em outro olhar, perdoa morena meus olhos tristonhos, perdoa os meus sonhos, se contigo eu sonhar. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário