domingo, 9 de maio de 2010

Nuuunca corte unhas à noite!


Minha mãe sempre diz que não presta cortar unha de noite. Deixa a gente desprotegido contra os maus espíritos. Não acredito em maus espíritos. Na verdade, não acredito em espírito algum, mas não consigo cortar as unhas à noite.

A recomendação da minha mãe é mais forte do que o poder da razão. Aquilo fica martelando na minha cabeça: “Nunca corte as unhas à noite, nunca, nuuuncaaa!”. Então não corto. Vá que exista espírito e vá que ele se importe com minha unha…

Isso é bastante plausível, segundo minha mãe, porque os espíritos se importam com coisas aparentemente insignificantes. Quer ver? Os anjos. Anjos são espíritos, suponho. Pois bem. Acontece que os anjos, sempre de acordo com minha mãe, não conseguem discernir entre o que é brincadeira, o que é ironia e o que é um desejo real. São seres literais, os anjos.

Para complicar a situação, eles são dotados de um poder extraordinário: se todos, lá no Céu, disserem amém em coro, os desejos manifestados naquele instante serão realizados. Então é o seguinte: digamos que você se irrite com algo por algum motivo e grite:

– Eu quero morrer!

Se naquele exato instante, os anjos estiverem dizendo em coro:

– Améééééém!

Você morre.

Com o que, minha mãe recomenda que eu sempre diga coisas boas. Bom. Não acredito nos anjos, já que eles são espíritos. Mesmo que eles não fossem não acreditaria. Sou racional, já disse. Mas minha mãe insiste tanto nesse conselho que não consigo evitar: tomo minhas precauções.

Por isso, se você me vir repetindo pela rua “Quero a Megan Fox, quero a Megan Fox, quero a Megan Fox”, já sabe: estou apostando nos anjos.

Vá que…





Texto de David Coimbra.

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