domingo, 8 de agosto de 2010

Meu Pai e eu.

Nunca ouvi chorar.
Seus sentimentos eram tão cerrados
que foi preciso me fizesse homem
pra desvendar o seu amor imenso.
Essa descoberta veio aos poucos,
a idade chegara para todos,
a lei passou então a ser mais branda
e o cuidado talvez menos intenso.


Eu,
que me fiz adulto antes do tempo,
saí de casa como um filho sai,
sem saber o quanto a rua me ensinara
nem atinar a força da argamassa
que herdara de meu pai.
Nem eu mesmo sabia
de que pedra eu era feito.
Tinha meus sonhos
e a insegurança daquele que começa,
quando atirei a vida sobre os ombros
e parti para o mundo a me provar.
O medo de ser frouxo me assustava;
eu sabia que atrás de cada esgrima
havia uma parede que não me deixaria recuar.


Hoje a vida passou, vou cerro abaixo,
o corpo vai sofrendo seus estragos,
mas me alegra saber que o coração
é pedra doce, - fácil de amoldar –
mas que sofre sozinho nos seus medos
e jamais reparte seus fracassos,
pois não lhe permitiram nunca
o direito de chorar.


É nessas horas que meu velho volta
e me levanta na palavra:
“Assim é a vida, só vence quem lutar!
Aperta o coração, afirma o braço,
ergue a cabeça e segue em frente...
Lá é teu lugar!”.


Feliz dia dos Pais meu amado Pai.
(Trecho da Poesia "Meu pai e eu".)

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