As vezes penso que o silêncio da noite seja necessário para se destinar aos pensamentos, não apenas a horas de sono. Ou até mesmo para viajar, o tempo entre uma cidade e outra, entre um km mais distante ou um km mais perto, entre a solidão da estrada e o desejo de ter alguém como companhia.
Horas que pareceram poucos minutos, conversas tão naturais que pareciam existir a anos, uma voz que se deseja ouvir todos os dias, um conjunto de escolhas, uma infinidade de riscos.
Estar cercado de pessoas, estar em um lugar diferente do habitual, mas ao mesmo tempo sentir-se só e muito mais distante de onde se queria estar. Ao fechar os olhos, no silêncio que se segue, busco relembrar de algumas noites atras a tua voz, cada palavra proferida por ti, cada vez que ouvira tua gargalhada, cada vez que desejei estar ao teu lado para poder ver-te sorrir, e assim se sentir feliz por completo.
Diz-se por aí que nascemos e morremos sozinhos. Por vezes vivemos sós, acostumamo-nos apenas a própria companhia, criamos a falsa ilusão de que não precisamos de ninguém mais, de que já temos 'tudo', que somos felizes tendo apenas a nós mesmos. Da mesma forma, pode criar-se a mesma ilusão de que precisamos de alguém, de que só assim seremos felizes. Desilusões a parte, podendo ou não manter-se apenas comigo mesmo, se fossem-me dadas as rédeas do destino, escolheria o caminho da companhia, dos sorrisos sinceros, dos abraços inesperados, de tudo o que não se pode ter, estando sozinho.
Próximos como nunca, distantes como sempre. Ainda separados por muitas coisas, pessoas, cidades, distâncias, escolhas, medos, fantasmas de um passado não tão distante que por vezes se fazem presentes, afinal, não se apaga tudo da memória quando se chega ao fim, por vezes seria bom que isso ocorresse, mas nem tudo é como se quer.
Ontem ao acaso li uma frase que me fez parar e pensar. Dizia ela que 'o passado é uma roupa que já não lhe serve mais', não posso discordar, o presente e o futuro tem um tamanho maior, talvez um pouco carregado ainda pelo passado, pelos fantasmas que precisam ser exorcizados, pelas bagagens desnecessárias que apenas estorvam, por todos os medos que tentam me prender, mas que precisam ser superados.
Tenho os meus temores, tu tens os teus. Ambos não queremos cometer os mesmo erros, ambos possuímos o mesmo medo, ambos temos tantas coisas em comum que chega a assustar. Resta-me esperar, e como dizia a canção, 'se tudo passa, talvez você passe por aqui', na hora certa, no dia certo, no tempo certo para o 'eu' se tornar 'nós'.
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