quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Presenciar o fim de algo que não teve começo é no mínimo estranho, para não dizer sem sentido. Talvez não tenha como descrever, apenas como pensar e sentir. Cada um com sua maneira de escrever ou ao menos de sonhar a própria história, cada um com suas vitórias ou derrotas, cada um com sua maneira de tentar se reconstruir. Por vezes, a gente acorda no meio do sonho, obrigado a recomeçar outra vez. Todo amanhecer é uma nova chance de algo novo, mas não é todo dia que saímos da cama querendo isso. Nos meus sonhos, no meu mundinho, tudo é mais bonito, tudo é como eu quero, tudo é menos complicado do que a vida lá fora. Quem sabe porque eu me pareça com um guri de 12 anos pensando assim, ou simplesmente por acreditar que nem tudo esta perdido, que nem tudo nessa vida precisa ser como o ‘sistema’ quer, que ainda alguma coisa pode ser diferente. Não saberia explicar o porque disso ou como é estar no olho do furacão e ainda acreditar que não terá uma bagunça imensa quando tudo acabar.
Talvez não haja segunda chance, talvez nem exista a primeira, talvez a gente passe o tempo todo esperando a chegada de quem já partiu.  
Os olhos marejados são o sinal que algo esta diferente. Não que seja uma situação nova, mas não há como comparar. Toda vez é diferente, mas ainda não havia sido tão forte assim. Controlar as lágrimas não vem sendo tarefa fácil, mas a gente aprender a fingir um sorriso e voltar pra vida lá fora. Por mais que lhe digam e você saiba que tudo vai ficar bem, que vai passar, não é tão simples assimilar isso.
Talvez soe como ingratidão permanecer dessa forma enquanto alguém lhe estende a mão e empresta o ombro para te consolar, mas não é intencional, é não saber onde buscar forças dentro de si novamente para seguir em frente. A vida segue, nada vai esperar que juntes os caquinhos da tua cara que quebrastes mais uma vez, mas falar sempre foi mais fácil do que fazer.
É hora de beijar a lona e receber o gelado abraço da derrota outra vez, o nocaute já foi consolidado. Restam agora lamentações e choro, tristezas e solidão, por escolha própria é verdade, afinal vem a tona o medo de outro golpe, de onde menos se espera.

Minha história talvez não seja interessante, mas é real e por muitas vezes eu não quis fazer parte dela. Ninguém a de entender provavelmente, mas o que hoje significa ‘vida’ para alguns, é para mim, apenas o significado de um passado onde minha vida foi pisoteada. 

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