sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Os inimigos o cercaram. Pouco a pouco, fizeram-lhe duvidar o quanto poderá suportar. Certa vez, lembra-se de ter ouvido que 'o pior veneno é o que te agrada', e agora, entende perfeitamente o que queriam dizer. Atormentado pelos fantasmas de seu passado, buscava acreditar que poderia obter um resultado diferente desta vez. Procurou mudar, afinal, sabia onde havia errado e se ferido em batalhas passadas. Mas nenhuma guerra é igual a outra. Por vezes utiliza-se o conhecimento já adquirido, por vezes arrisca-se e quando for o caso, paga-se o preço necessário. 
Um único foco e incapacidade de perceber o essencial na hora certa. Afinal você sabe o que quer, mas foge do que precisa. A obsessão pela vitória o cegara, o fez indiferente perante algumas questões vitais, as quais ele poderá sentir o gosto amargo por um bom tempo. Foram-lhe gentis, o avisaram para tomar cuidado, o deixaram ciente de tudo, o mostraram que esta pode ser uma batalha em vão, ou que na melhor das hipóteses, se tornará em uma prova de paciência e persistência. 
A maioria o julgaria como um idiota, se assim pudessem. Trariam os mais diversos argumentos visando demonstrar que o motivo pelo qual lutas, é tão consistente quanto um cão vestindo uma capa. O falta equilíbrio, controle para separar a ansiedade do seu medo, da sua coragem, da calmaria que por vezes se faz necessária, mas que é possível só dentro de ti, enquanto o mundo todo te joga bombas lá de fora. 
Chegou a pensar estar próximo, mas logo viu que era uma doce ilusão. Não fora obrigado a crer em nada, decidiu ir em frente por conta própria, sem garantia alguma, sem cobertura, apenas na cara e na coragem como tantas vezes ouvira por ai, sem nem ao menos saber se conseguiras estar próximo o suficiente para um misero abraço de misericórdia. Em ocasiões anteriores já teria elevado a bandeira branca de desistência, já teria decretado derrota e neste momento apenas observaria ao longe o caminho que deveria ter percorrido para chegar a vitória. Não receberias medalhas, não seria condecorado, muito menos teria teu nome citado em aulas de história. Perante aos outros, talvez de alguma forma servisse de exemplo, de sucesso ou de fracasso, isso não se sabe. As guerras costumam ser contatos de diferentes ângulos como mais convém ao narrador no momento que julga necessário. 
As armas estão apontadas para si agora, mas entre todas, a sua própria mente é a mais perigosa. Seus medos vem a tona, seus fracassos passam diante de seus olhos, a sensação de impotência outra vez o faz pensar no que tem feito, certo ou errado, sem saber com clareza onde acertou e onde errou. afinal quase nada faz sentido ainda. De joelhos em frente ao abismo que parece se formar em sua frente, olha para baixo e por um momento não tem forças para olhar nos olhos de seus inimigos. A indecisão ronda seus pensamentos, a razão e a emoção duelam sem parar enquanto não consegues esboçar nenhuma reação. Talvez ira se levantar forte e determinado como no inicio de sua jornada, sem saber explicar como isso aconteceu. Talvez caia e sinta a solidão o abraçar. Talvez já esteja morto e não tenha se dado conta, e assim sendo, mortos não lutam mais. 

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