Do céu ao inferno em questão de minutos, como se houvesse
alguma novidade nisso. Quando mesmo que não foi assim? Sentir e não sentir ao
mesmo tempo, querer e não querer, ter vontade de lutar, mas não ter forças o
suficiente para quem sabe sair do chão.
É como pagar pra ver um filme cujo final você conhece, mas
que na doce inocência de que pode ser diferente, pensa que dessa vez o autor
pode ter mudado de ideia e alterado os fatos. Mas ele não muda, deixa tudo
exatamente como antes, te tornando outra vez o idiota telespectador, que sabe
como as coisas são, mas que insiste em querer mudar o mundo, em mudar o seu
redor pensando que tudo pode se adequar a você.
Nessa hora, você percebe que por mais que pense ter crescido
e se julgue maduro de alguma forma, vai perceber que o mundo geralmente não é
como você quer, mas quando mesmo foi a primeira vez em que lhe mostraram isso?
E você não aprende, ou aprende e logo trata de ocultar dentro de si. A dor e a
solidão novamente fazem-se presentes, afinal és tão idiota, que mostra-se
ingrato com quem esta ao seu redor, com as pessoas que sempre que podem, deixam
seus problemas de lado para te dar um ombro, que deixam de fazer algo mais útil
da vida pra tentar te consolar e mostrar que esse não é o fim de mundo, não para
eles ao menos.
Mas você perdeu. Perdeu, outra vez e não caiu em pé, como
gostaria. Arriscou, ou imagina ter arriscado. Acha que fez o que podia, mas
ainda vai se martirizar e pensar em quantos erros cometeu, em quais falhas lhe
fizeram outra vez estar ali. Não sabe perder, não sabe lidar com a derrota como
um menininho mimado que pensa poder tudo, quando quiser, sem querer entender a
outra parte. Você literalmente sabe o que quer, mas foge do que precisa.
Tua consciência, tua cabeça, lhe ditam ordens que você não
quer obedecer. Agora, lembras perfeitamente de como é sentir-se assim. Lembras
do gosto amargo, a dor que sente toda vez que é jogado em queda livre sem
paraquedas, iludindo-se que não vais sentir nada quando o chão chegar. Acaba
sempre por imaginar que será diferente, que desta vez as coisas Irão mudar, mas
não adianta, você joga os dados e aceita o resultado.
Resultado que você não quer mais uma vez, mas que por algum
motivo, insiste em tentar mudar. Persiste talvez em algo que não lhe pertence, talvez
não tenha ‘talento’ pra isso. Talvez.. talvez.. talvez. A muito tempo que há mais
dúvidas que certezas, ou quem sabe, não queiras aceitar as respostas que lhe são
dadas.
Outra vez, vai precisar fingir que esqueceu das palavras
dela, que não teve significado nenhum o que lhe foi dito, que nem lembra do
beijo dela, do abraço, do perfume, dos incontáveis carinhos que fez no rosto
dela, do tempo que passou acariciando seus cabelos, que não sente mais o corpo
arder em brasa quando em contato com o dela. É incrível a intensidade com que aconteceu. Inexplicável
como os olhos permaneceram marejados por tanto tempo, tentando ocultar do mundo
novamente a dor que carrega dentro de si. Mesmo negando e sabendo que o melhor
seria desistir, esquecer, não querer de maneira alguma, ele não fará isso, ele
feito um bobo, por algum tempo ainda vai esperar. Mas por enquanto, o sonho
terminou ou foi adiado. Vem ser infeliz aqui fora, a vida é maior do que as
paredes do teu quarto e não é carinhosa e compreensiva quanto teu travesseiro úmido,
que você negara até morrer ser fruto de lágrimas.
Ele vai dormir e acordar querendo virar o jogo, até que nada
mais reste, além de aceitar o ‘game over’.
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