segunda-feira, 16 de maio de 2016


A saudade de ti vem fazendo parte de mim. Talvez sejamos melhores amigos no momento. Bom, talvez ela esteja ocupando um espaço maior em meu peito do que pudesse imaginar. Porém, tem vezes que ela se torna maior do que o esperado e acaba por se deslocar pelo meu rosto, ocupando o lugar daquele sorriso que tantas vezes dei por ti. Não que tenha deixado de sorrir totalmente, mas com tanta sinceridade e vontade, os últimos foram teus. Acho que por algum tempo, continuarão sendo, mesmo que a ausência seja maior do que a presença.
Não irei te cobrar presença, eu acabei por te afastar. A responsabilidade por não ter-te entre meus braços, é minha, só minha. Não soube nos manter do lado de fora do inferno que me cercava e que por muito me perseguiu. Demorei a ver que o exorcismo de todos os fantasmas acabaria por vir, e que contigo ao meu lado seria muito melhor. O medo, este velho amigo de infância, fez-me escolher a direção errada. Mostrou-me também o quão ruim é acordar e não te ver do meu lado, sorrindo, dando-me um beijo e me desejando bom dia. Todos temos dias bons e ruins, mas os melhores foram na sequencia das noites que terminaram contigo em meus braços, em meu peito.
Confesso que mesmo após longos meses, não aprendi viver sem você. Não há ao menos um dia, que não lembre de ti. Fostes, e segue sendo uma das pessoas mais importantes do meu viver. Aconteça o que acontecer, isso não irá mudar. Não quero que mude. Algumas coisas já estão gravadas na alma, não podem ser apagadas. Por muitas vezes, acreditastes em mim, mesmo quando eu mesmo não acreditava. És o porto seguro que sempre procurei, e que por razão de inúmeras tempestades consecutivas, acabei por distanciar.
A cada fim de tarde, a cada mate sozinho, lembro do que dizia aquela canção ‘quem me dera esse mate em outra tarde, tomar um, e alcançar outro pra alguém’. Todavia, não é qualquer ‘alguém’. Mais precisamente, é alguém de pele clara, sorriso lindo, com um olhar e um abraço que conseguem me fazer estremecer. Sei que não fui o melhor dos namorados, que sempre tive dificuldades em demonstrar o que sentia, mas agora, passado tanto tempo e tantas coisas, uma das coisas que mais quero, é isso. Não sou o mesmo que conhecestes dois anos atrás. Cresci, estou me tornando alguém melhor, sabendo que talvez jamais tenha a oportunidade de te demonstrar isso. A primeira vez, também pode ser a ultima chance, não é mesmo?!
Sonhei tantas coisas, disse-lhe tão poucas. Costumava não dividir meus fardos contigo, por pensar que daria conta de tanto peso, além de não querer te preocupar com o que eu julgava ‘bobagens’. Assim como nunca lhe disse dos sonhos com nosso futuro. Nosso lar, nossa família, nossa velhice juntos até que Deus viesse a nos separar. Mal sabia eu, que acabamos por nos separar tão precocemente. Se é para todo o sempre? Não sei, nem você sabe.
A vantagem em estar discorrendo aqui, longe dos teus olhos, é conseguir ‘falar’ algo. Caso fosse o contrario, estaria te prendendo no abraço mais apertado que alguém ousou dar algum dia no mundo, apenas sentindo tua respiração, sem conseguir dizer-lhe nada, momentos antes de tocar-te os lábios e assim sentir o mundo desaparecer. Quando a terra me chamasse de volta, talvez ficasse ali, segurando tua mão e olhando pra você. Sempre tive muito a te falar, mas sabe se lá por que raios, não conseguia.
Talvez nunca venha a poder te dizer tudo isso e tantas coisas mais, talvez meu tempo contigo já tenha se acabado. Só os mortos conhecem o fim da guerra, mas morreria quantas vezes fosse necessário para renascer em teus braços. Fiz-me não ser mais uma prioridade em tua vida, estou ciente disso, mesmo não gostando dessa realidade. Porem, continuo aqui, parado no mesmo local da estrada em que nos separamos, afinal A alma tem razões desconhecidas, que nos fazem ser por vezes coração.



Edenilson Thomé
Aos 7 meses de saudade, 23 anos e 364 dias de vida.

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