Entre
uma conversa e outra, ela me questionou ao acaso, indagando sobre a saudade. ‘e
a saudade? Como faz?’
Respondi-lhe que convivemos desde a infância, mais precisamente a 18 anos, acabamos por nos tornar grandes amigos. Com o passar do tempo, fui aprendendo a guarda-la junto com minhas melhores lembranças, afinal talvez o toque especial dela, é que façam serem os melhores até então.
Respondi-lhe que convivemos desde a infância, mais precisamente a 18 anos, acabamos por nos tornar grandes amigos. Com o passar do tempo, fui aprendendo a guarda-la junto com minhas melhores lembranças, afinal talvez o toque especial dela, é que façam serem os melhores até então.
Como
toda velha amiga, quando menos espero surge e me abraça bem apertado. Aquele
abraço que sufoca sabe, que parece te prender por inteiro. No começo a visita dela era acompanhado de olhos
marejados, travesseiros molhados e noites de insônia.
Com
o passar do tempo, trazia consigo um sorriso amarelo, daqueles que colocamos no
rosto imaginando poder enganar o mundo. Em não raras vezes, ainda é essa a
técnica usada para disfarçar sua presença.
Por
vezes permito que sua companhia se estenda além do necessário, bebendo doses
exageradas de lembranças que não mais poderão ser vividas. Crescer tem muito
disso, não é mesmo?! A gente nunca se banha duas vezes na mesma água do rio,
bem como a primeira vez, poderá ser também a última chance.
Quem
sabe o segredo seja substituir as antigas, por uma nova saudade. Acredito ser
um tanto quanto arriscado utilizar o termo saudade em seu plural, sei o que
sinto, o que gostaria outra vez de viver, porém não sei da reciprocidade de tal
fato. Apenas posso falar por mim, sendo assim, qualquer outra tentativa de
pensar o oposto, é auto sabotagem.
A
ponte que nos liga a nossas memórias, a saudade causada por ela, irá sempre
existir. Os momentos vividos de forma intensa, independentemente da frequência
ou número de vezes, irão permanecer. Ninguém simplesmente esquece, apenas aprende
a conviver ou a evitar tais pensamentos.
Sei
que terei ainda muita saudade, de novos acontecimentos, dos velhos, de tudo
aquilo que trago em minha bagagem. Logo mais a frente, talvez acabe por me
‘desfazer’ de alguns fardos, não por vontade própria, mas sim por estarem sendo
substituídos por outros, novinhos em folha.
A
gente vem e vai dessa vida sozinho, mas amigo, viver esse intervalo sem
companhia, é muito desperdício. Sorrir sozinho, mesmo no meio da tempestade
fará um bem enorme, até mesmo poderá dissipar o mal tempo e trazer o sol. Mas
quando o sol abrir, sorrir sozinho não terá tanta graça.
Alegria
compartilhada amigo, vale muito mais. Vale até mesmo uma saudade... saudade..
já falei que somos amigos a bastante tempo?
Sente-se aqui, é uma longa história...
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