quinta-feira, 14 de julho de 2016

Entre uma conversa e outra, ela me questionou ao acaso, indagando sobre a saudade. ‘e a saudade? Como faz?’
Respondi-lhe que convivemos desde a infância, mais precisamente a 18 anos, acabamos por nos tornar grandes amigos. Com o passar do tempo, fui aprendendo a guarda-la junto com minhas melhores lembranças, afinal talvez o toque especial dela, é que façam serem os melhores até então.
Como toda velha amiga, quando menos espero surge e me abraça bem apertado. Aquele abraço que sufoca sabe, que parece te prender por inteiro. No começo a  visita dela era acompanhado de olhos marejados, travesseiros molhados e noites de insônia.
Com o passar do tempo, trazia consigo um sorriso amarelo, daqueles que colocamos no rosto imaginando poder enganar o mundo. Em não raras vezes, ainda é essa a técnica usada para disfarçar sua presença.
Por vezes permito que sua companhia se estenda além do necessário, bebendo doses exageradas de lembranças que não mais poderão ser vividas. Crescer tem muito disso, não é mesmo?! A gente nunca se banha duas vezes na mesma água do rio, bem como a primeira vez, poderá ser também a última chance.
Quem sabe o segredo seja substituir as antigas, por uma nova saudade. Acredito ser um tanto quanto arriscado utilizar o termo saudade em seu plural, sei o que sinto, o que gostaria outra vez de viver, porém não sei da reciprocidade de tal fato. Apenas posso falar por mim, sendo assim, qualquer outra tentativa de pensar o oposto, é auto sabotagem.
A ponte que nos liga a nossas memórias, a saudade causada por ela, irá sempre existir. Os momentos vividos de forma intensa, independentemente da frequência ou número de vezes, irão permanecer. Ninguém simplesmente esquece, apenas aprende a conviver ou a evitar tais pensamentos.
Sei que terei ainda muita saudade, de novos acontecimentos, dos velhos, de tudo aquilo que trago em minha bagagem. Logo mais a frente, talvez acabe por me ‘desfazer’ de alguns fardos, não por vontade própria, mas sim por estarem sendo substituídos por outros, novinhos em folha.
A gente vem e vai dessa vida sozinho, mas amigo, viver esse intervalo sem companhia, é muito desperdício. Sorrir sozinho, mesmo no meio da tempestade fará um bem enorme, até mesmo poderá dissipar o mal tempo e trazer o sol. Mas quando o sol abrir, sorrir sozinho não terá tanta graça.

Alegria compartilhada amigo, vale muito mais. Vale até mesmo uma saudade... saudade.. já falei que somos amigos a bastante tempo? 
Sente-se aqui, é uma longa história...

Nenhum comentário:

Postar um comentário